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segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Abre Aspas: terceira edição


Poema de sete faces

Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.

As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.

O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.

O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode,

Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.

Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.

Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.

De Alguma poesia (1930)

A poesia que eu mais gosto, pra participar da Blogagem Coletiva promovida pela Lunna. Confiram!

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Tempos de inspiração direcionada e presentinho

Título louco... relevem!
Já falei aqui no blog que participo de uma Escola de Filosofia Espiritualista. Pois é, o fato que eu darei mais uma aula lá (a primeira foi há dois anos sobre aquecimento global), sobre a arte de escrever. Sabe essas coisas que a gente decide mais com o sentimento do que com a razão? Foi o que aconteceu quando quis dar essa aula. Desde então venho pensando em como tratar o tema, vindo de uma humilde leitora e aspirante a escritora que sou eu. Como mostrar a minha paixão e de muitos por uma arte que conquista muitos nesse mundo? Confesso que já sei mais ou menos o que saber, mas na hora, apesar do "roteiro", o coração fala mais alto, assim como na hora da decisão que mencionei.
De cara quero levar textos da Clarice, do João Cabral de Melo Neto, Adriana Calcanhotto e Arnaldo Antunes. No mais, continuarei pesquisando até sábado (e aceito sugestões!).

Mudando de assunto, ganhei um presentinho da minha mãe, o perfume Humor da Natura. Ele veio com uma embalagem fofa e até com uns textos sobre o humor nos relacionamentos, acompanhados por ilustrações de Angeli. Olha aqui:


Sem contar que a fragrância é tudo!! Perfeita!
Agora vou indo! Espero sugestões.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Ler = paixão

Sensação de bem estar, de conhecimento maior e de me perguntar porque eu não pensei naquilo antes. É isso o que sinto ao ler um bom livro.
Quanto maior o livro, maior o desafio. Quanto menos familiar a linguagem me parecer, também. É muito bom, sabe. Quando a leitura flui, eu perco a noção de tempo e lugar e me entrego totalmente à história, seja ela qual for.
Não é uma paixão tão antiga assim. Sempre gostei de ler, mas geralmente era vencida pela preguiça. Esse ano o jogo mudou. Enquanto nos anos anteriores lia um ou dois livros (e às vezes nem isso), em 2009 devo ter passado dos 10. E não é só número: todos marcaram uma nova fase da minha vida, a de boa leitora!
É muito, muito prazeroso mesmo. Me agrega conhecimentos vários. Amplia minha forma de ver o mundo. Melhora meu vocabulário, o que me é muito útil na hora de falar e escrever. Me transporta para o lugar que eu leio, faz com que eu me veja no personagem, enfim... é um delírio tal que só experimentando!!
No momento, estou me deliciando com O mundo de Sofia (Jostein Gaarder). E você, o que está lendo?

Imagem Getty Images

sábado, 17 de outubro de 2009

Caim

(...) Sucedeu então algo até hoje inexplicado. O fumo da carne oferecida por abel subiu a direito até desaparecer no espaço infinito, sinal de que o senhor aceitava o sacrifício e nele se comprazia, mas o fumo dos vegetais de caim, cultivados com um amor pelo menos igual, não foi longe, dispersou-se logo ali, a pouca altura do solo, o que significava que o senhor o rejeitava sem qualquer contemplação. Inquieto, perplexo, caim propôs a abel que trocassem de lugar, podia ser que houvesse ali uma corrente de ar que fosse a causa do distúrbio, e assim fizeram, mas o resultado foi o mesmo. Estava claro, o senhor desdenhava caim. Foi então que o verdadeiro carácter de abel veio ao de cima. Em lugar de se compadecer do desgosto do irmão e consolá-lo, escarneceu dele, e, como se isto ainda fosse pouco, desatou a enaltecer a sua própria pessoa, proclamando-se, perante o atónito e desconcertado caim, como um favorito do senhor, como um eleito de deus. (...) A cena repetiu-se, invariável, durante uma semana, sempre um fumo que subia, sempre um fumo que podia tocar-se com a mal e logo se desfazia no ar. E sempre a falta de piedade de abel, os dichotes de abel, o desprezo de abel. Um dia caim pediu ao irmão que o acompanhasse a um vale próximo onde era voz corrente que se acoitava uma raposa e ali, com as suas próprias mãos, o matou a golpes de uma queixada de jumento que havia escondido antes num silvado, portanto com aleivosa premeditação. Foi nesse exacto momento, isto é, atrasada em relação aos acontecimentos, que a voz do senhor soou, e não só soou ela como apareceu ele. (...) Que fizeste com o teu irmão, perguntou, e caim respondeu com outra pergunta, Era eu o guarda-costas de meu irmão, Mataste-o, Assim é, mas o primeiro culpado és tu, eu daria a vida pela vida dele se tu não tivesses destruído a minha, Quis pôr-te à prova, E tu quem és para pores à prova o que tu mesmo criaste, Sou o dono soberano de todas as coisas, E de todos os seres, dirás, mas não de mim nem da minha liberdade, Liberdade para matar, Como tu foste livre para deixar que eu matasse a abel quando estava na tua mão evitá-lo, bastaria que por um momento abandonasses a soberba da infalibilidade que partilhas com todos os outros deuses, bastaria que por um momento fosses realmente misericordioso, que aceitasses a minha oferenda com humildade, só porque não deverias atrever-te a recusá-la, os deuses, e tu como todos os outros, têm deveres para com aqueles a quem dizem ter criado, Esse discurso é sedicioso, É possível que o seja, mas garanto-te que, se eu fosse deus, todos os dias diria Abençoados sejam os que escolheram a sedição porque deles será o reino da terra, Sacrilégio, Será, mas em todo o caso nunca maior que o teu, que permitiste que abel morresse, Tu é que o mataste, Sim, é verdade, eu fui o braço executor, mas a sentença foi dada por ti, O sangue que aí está não o fiz verter eu, caim podia ter escolhido entre o mal e o bem, se escolheu o mal pagará por isso, Tão ladrão é o que vai à vinha como aquele que fica a vigiar o guarda, disse caim, E esse sangue reclama vingança, insistiu deus, Se é assim, vingar-te-ás ao mesmo tempo de uma morte real e de outra que não chegou a haver, Explica-te, Não gostarás do que vais ouvir, Que isso não te importe, fala, É simples, matei abel porque não podia matar-te a ti, pela intenção estás morto, Compreendo o que queres dizer, mas a morte está vedada aos deuses, Sim, embora devessem carregar com todos os crimes cometidos em seu nome ou por sua causa (...)

Trecho de Caim, novo livro de José Saramago. Eu quero.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Depois que li Crepúsculo...

...mudei a visão preconceituosa que tinha. Achava que era só mais um best-seller idiota que tinha uma história que prendia e depois se dissipava nas nossas vagas lembranças (meio que viajei nessa frase, mas vocês entenderam...). Tanto pensava assim que demorei a me interessar a lê-lo, mas um dia, bem depois de iniciada a modinha (mais uma coisa que me impediu de ler o livro antes), eu resolvi ler.
A cada página adentrava mais o mundo de Edward e Bella e ao ler, era como se estivesse vivendo em Forks, lado a lado com eles.


Mudanças de pensamento

"Na península de Olympic, do noroeste do estado de Washington, há uma cidadezinha chamada Forks, quase constantemente debaixo de uma cobertura de nuvens. Chove mais nessa cidade insignificante do que em qualquer outro lugar dos Estados Unidos. Foi desse lugar e de suas sombras melancólicas e onipresentes que minha mãe fugiu comigo quando eu tinha apenas alguns meses de idade. Nessa cidade eu fui obrigada a passar um mês a cada verão até ter 14 anos. Foi então que finalmente bati o pé. Nos últimos três verões, meu pai, Charlie, passou duas semanas de férias comigo na Califórnia.
Era em Forks que agora eu me exilava - uma atitude que assumi com muito pavor. Eu detestava Forks.
Eu adorava Phoenix. Adorava o sol e o calor intenso. Adorava a cidade vigorosa e esparramada."
(Capítulo 1, páginas 13 e 14)

"- O Phil conseguiu assinar? - chutei
- Sim, como adivinhou? Com os Suns, dá para acreditar?
- Mãe, isso é ótimo - eu disse com o maior entusiasmo que pude, embora tivesse pouca ideia do que isso significava.
- E você vai gostar muito de Jacksonville - disse ela esfuziante enquanto eu olhava com uma expressão vazia. - Fiquei meio preocupada quando Phil começou a falar em Akron, com aquela neve e tudo, porque você sabe que eu odeio o frio, mas agora Jacksonville! Sempre ensolarado e a umidade não é assim tão ruim. Encontramos uma casa lindinha, amarela, com acabamentos de madeira branca e uma varanda, como de um filme antigo, e um carvalho enorme, só fica a alguns minutos da praia e você terá o seu próprio banheiro...
- Espera, mãe! - interrompi. Edward ainda estava de olhos fechados, mas parecia tenso demais para passar por adormecido. - Do que está falando? Não vou para a Flórida. Eu moro em Forks.
- Mas não precisa mais, bobinha -ela riu. - Phil vai conseguir ficar muito mais agora... Nós conversamos e o que vou fazer é alternar metade do tempo com você, metade com ele nos jogos em outras cidades.
- Mãe - Eu hesitei, perguntando-me qual era a maneira mais diplomática de dizer isso. - Eu quero morar em Forks. Já me adaptei na escola e tenho algumas amigas - ela olhou novamente para Edward quando eu a lembrei dos amigos, então tentei outro rumo - , e Charlie precisa de mim. Ele está tão sozinho lá e não sabe cozinhar nada.
- Quer ficar em Forks? - perguntou ela, surpresa. A ideia lhe era inconcebível. E depois seus olhos dispararam para Edward. - Por quê?
- Eu lhe disse... Escola, Charlie... Ai! - Eu dei de ombros. Não foi uma boa ideia.
Suas mãos flutuaram impotentes para mim, tentando encontrar um lugar seguro para afagar. Ela fez isso em minha testa; não estava enfaixada.
- Bella, querida, você odeia Forks - ela me lembrou.
- Não é tão ruim.
Ela franziu a testa e olhou de Edward para mim, desta vez deliberadamente."
(Capítulo 24, páginas 365 e 366)

Se vê claramente nos trechos como mudou a ideia que Bella tinha de Forks. Antes, era apenas uma cidade no meio do nada, chuvosa. Depois, torna-se sua casa, o lugar onde mora o amor da sua vida, Edward Cullen. E como mudanças é um tema que eu prezo muito, começa por aí a explicação porque o livro marcou tanto a minha vida ( e quando falo assim não é exagero).

O amor entre Edward e Bella

Bella logo atraiu o Edward, como ele mesmo disse, pelo seu cheiro. Pela sua personalidade diferente, por sua beleza que nem mesmo ela via por não se gostar tanto, mas que ele sempre viu claramente. Um amor que
a ele pareceu impossível, porque simplesmente ele tinha medo de não se controlar perto dela. Um movimento brusco e ele podia matá-la. Perto dele, ela é como uma porcelana, de tão frágil. E mesmo até ele achando que não daria certo, eles ficaram juntos.
Outro ponto fundamental para que o relacionamento desse certo foi a coragem de Bella Swan. Ela, mesmo sabendo que Edward era um vampiro e podia atacá-lo a qualquer momento, agia com naturalidade perto dele, e muitas vezes até mesmo com impulsividade, quanto ao contato físico. Ele, em contrapartida, procurava não perder o controle com ela, para protegê-la. Um amor que nos ensina muito.


O mito Edward Cullen

Uma das coisas que me irritava era quando via meninas em blogs, comunidades no orkut e afins dizerem que nunca mais achariam um cara tão legal para se relacionar, por causa do Edward Cullen. Continuo achando isso absurdo, pois nunca trocaria meu relacionamento de verdade (que é maravilhoso, por sinal, mesmo com seus defeitos, normal de todo casal) por um mito. Pois, para mim, já se tornou um mito para as adolescentes e jovens o Edward Cullen. Mas agora entendo porque tamanho fascínio.
O Edward, além de lindo, é tudo que uma mulher pode querer: atencioso, carismático, reservado, romântico, sedutor, e do tipo que não dá atenção a outra mulher que não seja a mulher amada. Qual mulher não se deixaria apaixonar por um homem assim, tão perfeito? (Eu, particularmente, fico curiosa para saber como seria o hálito do Edward, que segundo a Bella, é um "hálito doce". Fico imaginando...).
O Edward se tornou o príncipe dos príncipes. E quem sou eu, pobre mortal, para duvidar de um lindo vampiro?

Não vejo a hora de ler os demais livros. Creio que vou demorar um pouco, por causa do vestibular. Mas já me decreto como uma grande fã. Nunca mais tinha visto uma história adolescente tão envolvente.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Me deliciando...

...com leituras bem legais. A culpa é (quase) toda do cursinho. Acabei de conhecer um pouco hoje pela escrita de Caio Fernando Abreu. Meu professor já citou ele várias vezes, e sei que só não aprofunda porque percebi que o autor não tem nada a ver com escolas e cursinhos. Fala muito de sexo, tem uma forma de escrever autêntica pra caramba e ainda é fã de Clarice Lispector! Não podia ser melhor! Apesar de não saber fazer críticas porque ainda sei pouco, adorei o estilo do cara! Claro que vou ler mais. Fica a dica pra quem quiser procurar saber mais sobre o autor.
Outra coisa legal que tô lendo é o livro "O teatro do bem e do mal", de Eduardo Galeano, que é uruguaio e considerado um dos maiores pensadores contemporâneos. Esse livro é de textos que foram publicados em jornais de 1999 a 2002. Tece maravilhosas críticas sobre política, economia, e muito mais assuntos e sabe fazer um uso espetacular de metáforas e construções, por vezes beirando o humor. Esse é o primeiro livro dele que leio. Com certeza vou procurar mais assim que terminar.
Espero que gostem das dicas, e lá vou eu!